Quando a biblioteca vira espaço de cuidado: iniciativa transforma multas em dignidade menstrual nas universidades
- Ciência da Informação Express CIE
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por Ciexpress
O artigo “Dignidade menstrual e biblioteca universitária: um relato de experiência”, de Ana Lúcia da Silva Araújo e Leila Aparecida Anastácio, apresenta uma iniciativa inovadora desenvolvida em uma biblioteca universitária brasileira que substituiu o pagamento de multas por produtos de higiene menstrual. A pesquisa revela como essa estratégia não apenas facilitou a regularização de débitos, mas também ampliou o acesso aos serviços bibliotecários e promoveu a dignidade menstrual, transformando a biblioteca em um espaço ativo de inclusão social e mediação cultural da informação .

Historicamente, bibliotecas foram concebidas como espaços de preservação do conhecimento, muitas vezes restritos a grupos privilegiados. No contexto contemporâneo, no entanto, essas instituições vêm sendo pressionadas a assumir um papel mais inclusivo e socialmente comprometido. Nesse cenário, temas como a dignidade menstrual, frequentemente negligenciados, emergem como desafios. A literatura aponta que a falta de acesso a produtos adequados pode impactar diretamente a permanência e o desempenho acadêmico de estudantes, especialmente em situações de vulnerabilidade (UNICEF, 2021; Munro et al., 2021).
A chamada “pobreza menstrual” é reconhecida internacionalmente como uma questão de saúde pública e de direitos humanos (ONU, 2021). Estigmas culturais, desinformação e barreiras econômicas tornam a menstruação um fator de exclusão silenciosa, afetando a autoestima, a participação social e o acesso à educação. Assim, iniciativas institucionais que enfrentem esse problema tornam-se essenciais para promover equidade no ambiente acadêmico.
No relato é desquito que as autoras analisaram registros administrativos, procedimentos operacionais e observações realizadas durante a execução de uma campanha promovida pela biblioteca de um campus universitário. A ação consistiu em permitir que estudantes quitassem multas por atraso na devolução de livros por meio da doação de produtos de higiene menstrual, posteriormente disponibilizados gratuitamente nos banheiros da instituição.
Os resultados indicam que a iniciativa teve impactos significativos. Além de facilitar a regularização de pendências, a campanha ampliou o acesso aos serviços bibliotecários e promoveu a distribuição irrestrita de produtos menstruais, beneficiando toda a comunidade acadêmica. Observou-se também o engajamento espontâneo de estudantes, inclusive aqueles sem débitos, e a gradual redução do estigma em torno do tema, evidenciada pela naturalização das conversas sobre menstruação no ambiente da biblioteca.
Do ponto de vista institucional, a experiência demonstrou que é possível conciliar a preservação do acervo com práticas inclusivas e socialmente responsáveis. A iniciativa também fortaleceu o papel da biblioteca como espaço de mediação cultural da informação, indo além da oferta de conteúdos para atuar na promoção de direitos e no enfrentamento de desigualdades. Além disso, contribuiu para repensar modelos tradicionais de gestão, muitas vezes baseados em lógicas punitivas que podem reforçar exclusões.
O estudo evidenciou que pequenas mudanças nas políticas institucionais podem gerar impactos significativos na vida acadêmica e social. Ao incorporar a dignidade menstrual como pauta legítima, a biblioteca amplia sua função social. A experiência aponta caminhos para futuras ações e políticas públicas, sugerindo que a inclusão, quando assumida de forma concreta, pode transformar não apenas instituições, mas também culturas e mentalidades.
Referências
MUNRO, Alana K. et al. A systematic review of the menstrual experiences of university students and the impacts on their education: a global perspective. Plos One, [S. l.], v. 16, n. 9, p. e0257333, 2021. Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0257333. Acesso em: 30 abr. 2026.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Dignidade menstrual: recomendações para políticas públicas. Brasília: UNFPA, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/cartilhas/2024/dignidademenstrual. Acesso em: 30 abr. 2026.
UNICEF. Pobreza menstrual no Brasil: desigualdades e violações de direitos. [S. l.]: UNICEF, 2021. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/relatorios/pobreza-menstrual-no-brasil-desigualdade-e-violacoes-de-direitos. Acesso em: 30 abr. 2026.
Para acessar a pesquisa na íntegra
ARAÚJO, Ana Lúcia da Silva; ANASTÁCIO, Leila Aparecida. Dignidade menstrual e biblioteca universitária: um relato de experiência. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.161
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Transparência editorial
Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.




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