Entre bibliotecas e algoritmos: reflexões de como a ciência da informação pode se reinventar na era digital
- Ciência da Informação Express CIE
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por Ciexpress
O artigo “Bibliotecas, símbolos e algoritmos: autoridades epistêmicas, materialidade, institucionalidade e formas simbólicas no regime de informação das plataformas digitais”, de Maria Nélida González de Gómez, reflexões de como o conhecimento é produzido, mediado e legitimado em um cenário cada vez mais dominado por tecnologias digitais e inteligência artificial. A pesquisa evidencia que a Ciência da Informação precisa revisar seus fundamentos teóricos e metodológicos para compreender as novas dinâmicas informacionais, destacando a interdisciplinaridade e a proposta de uma “Ciência dos Conteúdos” como caminhos centrais para esse avanço .

Nas últimas décadas, a expansão das tecnologias digitais transformou profundamente as formas de produção e circulação da informação. Plataformas digitais, algoritmos e sistemas de inteligência artificial passaram a desempenhar um papel central na organização do conhecimento, influenciando desde práticas acadêmicas até decisões sociais e políticas. Esse cenário, descrito como “infoesfera digital” (Floridi, 2013; 2014), redefine não apenas os objetos de estudo da Ciência da Informação, mas também suas bases epistemológicas.
O estudo parte de uma questão central: como compreender as formas simbólicas mediadas por tecnologias digitais e quais abordagens investigativas são mais adequadas para analisá-las? A autora identifica uma lacuna importante no campo, marcada pela necessidade de integrar diferentes dimensões: sociais, tecnológicas, culturais e políticas na análise da informação, especialmente em contextos de crescente mediação algorítmica e desigualdades globais no acesso e uso das tecnologias (Wallerstein, 1995; Han, 2022).
Do ponto de vista metodológico, trata-se de um estudo teórico-ensaístico que combina análise conceitual e revisão crítica da literatura. A abordagem mobiliza autores como Floridi (2014), Berger e Luckmann (1967) e Habermas (1984; 2001), articulando conceitos como regime de informação, documentalidade e autoridade epistêmica. Essa construção permite interpretar bibliotecas, documentos e sistemas digitais não apenas como repositórios de informação, mas como dispositivos ativos na produção e validação do conhecimento.
Entre os principais resultados, destaca-se a compreensão de que as bibliotecas continuam sendo instituições fundamentais, mas agora inseridas em um ecossistema híbrido, onde convivem com plataformas digitais e sistemas algorítmicos. Nesse contexto, emergem novos desafios, como a desinstitucionalização da informação, o aumento da desinformação e a concentração de poder informacional nas grandes empresas tecnológicas. O estudo também aponta para a necessidade de reconhecer e enfrentar a chamada “colonialidade digital”, que reproduz desigualdades entre países e sistemas de conhecimento.
A pesquisa contribui ao propor uma reconfiguração da Ciência da Informação baseada na interdisciplinaridade e na ampliação de seus referenciais analíticos. Ao incorporar perspectivas filosóficas, sociológicas e tecnológicas, o trabalho oferece uma leitura crítica sobre os regimes contemporâneos de informação e aponta caminhos para fortalecer a integridade informacional e o papel das instituições públicas, como bibliotecas, arquivos e universidades.
Em síntese, o estudo reforça que compreender o funcionamento da informação na era digital é um desafio central para a ciência contemporânea. Ao evidenciar os impactos dos algoritmos, das plataformas e das dinâmicas globais de poder, a pesquisa abre espaço para o desenvolvimento de modelos mais justos, críticos e inclusivos de produção e circulação do conhecimento, com implicações diretas para políticas públicas, educação e governança da informação.
Acesse a pesquisa na íntegra:
GONZALEZ DE GOMEZ, Maria Nelida. Bibliotecas, símbolos e algoritmos: autoridades epistêmicas, materialidade, institucionalidade e formas simbólicas no regime de informação das plataformas digitais. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, 2026. DOI:
Referências
BERGER, Peter; LUCKMANN, Thomas. La construcción social de la realidad. Buenos Aires: Amorrortu, 1967.
FLORIDI, Luciano. Infoesfera. Tábula, Bogotá, n. 16, 2013.
FLORIDI, Luciano. The fourth revolution: how the infosphere is reshaping human reality. Oxford: Oxford University Press, 2014.
HABERMAS, Jürgen. The liberating power of symbols: philosophical essays. Cambridge: MIT Press, 2001.
HABERMAS, Jürgen. The theory of communicative action: reason and the rationalization of society. Boston: Beacon Press, 1984. v. 1.
HAN, Byung-Chul. Infocracia: digitalização e a crise da democracia. Petrópolis: Vozes, 2022.
WALLERSTEIN, Immanuel. The modern world system and evolution. Journal of World-Systems Research, Pittsburgh, p. 512-522, 1995. DOI: https://doi.org/10.5195/jwsr.1995.46.
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Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.




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