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Preservar a arte no ambiente digital exige mais que tecnologia

por Ciexpress


O artigo “A disponibilização da produção da pesquisa artística em repositórios

institucionais: a experiência da biblioteca do instituto de artes da Unesp”, de Luciana Corts Mendes, Fabiana Colares e Mariana Borges Gasparino, revela como a Biblioteca do Instituto de Artes da Unesp vem enfrentando um desafio pouco discutido na ciência aberta: preservar, organizar e disponibilizar pesquisas artísticas em repositórios institucionais. O estudo demonstra que obras, vídeos, performances, sons e outros materiais produzidos nas artes exigem novas formas de tratamento documental e interpretação dos bibliotecários para que possam ser acessados e recuperados em ambientes digitais.


A pesquisa parte da compreensão de que universidades públicas possuem papel estratégico na democratização do conhecimento científico, artístico e cultural. Nesse contexto, os autores dialogam com os princípios do conhecimento aberto e destacam que instituições acadêmicas precisam ampliar suas práticas de acesso aberto também para produções não tradicionais, especialmente aquelas vinculadas às artes (Montgomery et al., 2021).


Segundo o relato, a própria natureza da pesquisa em artes desafia modelos tradicionais de organização da informação. Garrett e Gramstadt (2012) apontam que dados artísticos podem incluir cadernos de criação, registros audiovisuais, objetos físicos, diários de processo e documentação multimodal. Diferentemente das ciências tradicionais, nas artes o texto frequentemente ocupa papel complementar, enquanto imagens, sons e experiências sensoriais tornam-se centrais na construção do conhecimento. Essa singularidade exige novas práticas técnicas e conceituais para garantir preservação digital, acessibilidade e integridade acadêmica.


Metodologicamente, o trabalho caracteriza-se como um relato de experiência qualitativo, centrado nas atividades desenvolvidas pela equipe da Biblioteca do Instituto de Artes da Unesp entre agosto de 2024 e novembro de 2025. Nesse período, foram validadas 188 submissões no Repositório Institucional da universidade, incluindo teses, dissertações, trabalhos de conclusão de curso e conjuntos de dados de pesquisa artística. O estudo descreve os fluxos de análise, validação de metadados, avaliação de direitos autorais, conferência de arquivos e adequação aos princípios FAIR, conjunto internacional de diretrizes voltadas à encontrabilidade, acessibilidade, interoperabilidade e reutilização de dados científicos (Wilkinson et al., 2013).


Entre os resultados mais relevantes, o artigo mostra que muitos estudantes desconheciam a possibilidade de depositar obras e dados de pesquisa diretamente no repositório institucional, recorrendo a plataformas externas e serviços temporários de armazenamento. A equipe da biblioteca passou então a orientar os autores sobre como integrar vídeos, imagens, gravações sonoras e outros materiais artísticos ao próprio repositório da universidade. Um dos casos relatados envolve um Trabalho de Conclusão de Curso cuja estrutura física fazia parte da própria obra artística. Para preservar essa materialidade, a solução encontrada foi criar um “substituto digital” em vídeo, permitindo que a experiência estética da obra também pudesse ser representada digitalmente.


Outro aspecto inovador apresentado pelo relato é a defesa de uma abordagem interpretativista no trabalho bibliotecário. As autoras argumentam que não é possível tratar a produção artística apenas com checklists rígidos ou fluxos padronizados, pois cada obra possui singularidades semânticas, materiais e conceituais próprias. Assim, o bibliotecário deixa de atuar apenas como técnico organizador de documentos e assume também um papel analítico e interpretativo, mediando a relação entre integridade acadêmica, preservação digital e especificidade estética das produções artísticas.


A experiência da Unesp demonstra que repositórios institucionais podem tornar-se espaços mais inclusivos, capazes de preservar não apenas textos acadêmicos e científicos, mas também experiências sensíveis, processos criativos e dados multimodais. Além de contribuir para o debate sobre organização da informação artística, o relato oferece subsídios práticos para bibliotecas universitárias, políticas institucionais de acesso aberto e futuras iniciativas de preservação digital da produção cultural e científica contemporânea.


Referências


GARRETT, Leigh; GRAMSTADT, Marie-Therese. KAPTUR: exploring the nature of visual arts research data and its effective management. London: Electronic Visualisation and the Arts, 2012.


MONTGOMERY, Lucy et al. Open Knowledge Institutions: reinventing universities. Cambridge: MIT Press, 2021.


WILKINSON, Mark D. et al. The FAIR Guiding Principles for scientific data management and stewardship. Scientific Data, London, v. 3, 2016.


Para ler o artigo na íntegra


MENDES, Luciana Corts; COLARES, Fabiana; GASPARINO, Mariana Borges. A disponibilização da produção da pesquisa artística em repositórios institucionais: a experiência da biblioteca do instituto de artes da Unesp. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.159.



Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.

 
 
 
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