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Livros que emocionam também ensinam: pesquisa mostra como a literatura fortalece habilidades para a vida

por Ciexpress


A leitura pode ir muito além da alfabetização e do desenvolvimento da linguagem. É o que demonstra o artigo "O papel da leitura literária na construção socioemocional do leitor", de Angélica Sheila Moreira e Mauriceia Silva de Paula Vieira, ao evidenciar que experiências de leitura literária mediadas na biblioteca escolar favorecem o desenvolvimento de competências como empatia, autoconhecimento, comunicação, ética, cooperação e resiliência. O estudo reforça que a literatura constitui uma importante ferramenta para a formação integral dos estudantes, especialmente quando conduzida por práticas pedagógicas intencionais e sensíveis.


A pesquisa parte de uma discussão cada vez mais presente na educação brasileira: como desenvolver competências socioemocionais sem reduzir a escola à transmissão de conteúdos. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece a importância dessas competências, porém diferentes estudos apontam que a literatura ainda ocupa um espaço limitado nas orientações curriculares, muitas vezes sendo utilizada apenas como instrumento para avaliações ou para o ensino da língua portuguesa (Portolomeos; Joaquim, 2025; Portolomeos; Nepomuceno, 2022). Nesse contexto, as autoras defendem que a leitura literária deve ser compreendida como uma experiência estética, afetiva e humanizadora, capaz de ampliar a compreensão do leitor sobre si mesmo e sobre o outro.


Para investigar essa relação, foi realizada uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, articulando pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo em uma escola pública do Sul de Minas Gerais. Durante dois meses, foram observadas aulas semanais de leitura na biblioteca escolar com uma turma de 22 estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental. Os dados foram registrados em diário de campo e analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, permitindo compreender como as práticas de leitura contribuíram para a formação socioafetiva dos alunos.


As observações mostraram que atividades como contação de histórias, rodas de conversa, questionamentos sobre personagens e narrativas e o uso de recursos lúdicos estimularam a participação ativa dos estudantes, favorecendo reflexões sobre honestidade, responsabilidade, convivência, empatia e tomada de decisões. Ao acompanhar personagens e conflitos literários, os alunos passaram a discutir emoções, valores e diferentes perspectivas, transformando a biblioteca em um espaço de diálogo, acolhimento e construção coletiva do conhecimento. Essas experiências corroboram pesquisas que reconhecem a literatura como instrumento de humanização e desenvolvimento emocional (Candido, 2011; Oliveira, 2021).


Entre as principais contribuições do estudo está a demonstração de que a biblioteca escolar pode assumir um papel estratégico na formação de leitores e cidadãos. Mais do que incentivar o hábito da leitura, o ambiente favorece experiências capazes de fortalecer competências previstas na BNCC, como autoconhecimento, empatia, comunicação, responsabilidade, flexibilidade, ética e cooperação. As autoras, contudo, ressaltam que os resultados devem ser interpretados com cautela, pois, devido ao caráter exploratório da pesquisa, não é possível afirmar uma relação causal entre a leitura literária e o desenvolvimento socioemocional dos estudantes. Permanecem desafios relacionados à instrumentalização do texto literário e à necessidade de ampliar políticas públicas que valorizem a experiência estética da leitura.


Ao reunir evidências teóricas e empíricas, o estudo reforça que investir em bibliotecas escolares, formação de mediadores de leitura e práticas pedagógicas voltadas à fruição literária pode contribuir para uma educação mais humana e integral. As autoras sugerem que novas pesquisas ampliem o número de escolas investigadas e explorem diferentes contextos educacionais, fortalecendo o conhecimento científico sobre os impactos da leitura literária na formação socioemocional de crianças e jovens.


Referências citadas no release


CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2011.


OLIVEIRA, Wesley Felipe. A relação entre imaginação, moralidade, política e literatura: uma análise a partir de Adam Smith e Martha Nussbaum. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 35, n. 73, p. 161-198, 2021.


PORTOLOMEOS, Andréa; JOAQUIM, Glauco. O trabalho docente com a educação dos afetos nas aulas de literatura: perspectivas para o enfrentamento do impacto da cultura das mídias sociais nos discentes da escola básica. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 34, 2025. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/57837. Acesso em: 12 jul. 2025.


PORTOLOMEOS, Andréa; NEPOMUCENO, Susana Vieira Rismo. O ensino da leitura literária na escola básica: perspectivas e desafios a partir da BNCC. Linha D'Água, São Paulo, v. 35, n. 1, p. 4-20, 2022. Disponível em: https://repositorio.ufla.br/handle/1/50460. Acesso em: 17 jun. 2026.


Para ler o artigo na íntegra


MOREIRA, Angélica Sheila; VIEIRA, Mauriceia Silva de Paula. O papel da leitura literária na construção socioemocional do leitor. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.192.



_____ Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.

 
 
 
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