Marcas escondidas nos livros raros ajudam a reconstruir a história da cultura escrita
- Ciência da Informação Express CIE
- há 18 horas
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por Ciexpress
O artigo “Descrição de marcas de proveniência nos registros bibliográficos”, de Marcia Carvalho Rodrigues e Alissa Esperon Vian, publicado na revista Ciência da Informação Express, investiga como marcas deixadas em livros raros, como carimbos, assinaturas, dedicatórias e ex-líbris, podem revelar trajetórias históricas de circulação, posse e memória cultural. O estudo demonstra que a metodologia da associação francesa BiblioPat possibilita padronizar a descrição dessas marcas em registros bibliográficos, contribuindo para a preservação do patrimônio documental e para o aprimoramento da representação bibliográfica.

Embora muitos leitores associem bibliotecas apenas à guarda de livros, exemplares raros carregam vestígios materiais que contam histórias sobre antigos proprietários, instituições, leitores e contextos históricos. Essas marcas de proveniência funcionam como evidências da trajetória dos documentos ao longo do tempo, permitindo compreender aspectos da história do livro, das práticas de leitura e da circulação do conhecimento. Segundo as autoras, a ausência de normas específicas para registrar essas informações dificulta a recuperação da informação e limita investigações históricas mais aprofundadas (Rodrigues; Vian, 2026).
A pesquisa teve como objetivo aplicar e analisar a metodologia desenvolvida pela associação francesa BiblioPat, criada para orientar a descrição sistemática de marcas de proveniência em acervos raros e especiais. O trabalho caracteriza-se como uma pesquisa aplicada, fundamentada em revisão documental e bibliográfica, utilizando como estudo de caso exemplares raros pertencentes à Biblioteca Rio-Grandense, instituição histórica localizada no Rio Grande do Sul. As pesquisadoras selecionaram diferentes tipos de marcas encontradas nos livros para exemplificar a aplicação prática da metodologia em registros bibliográficos no formato MARC 21.
Entre os exemplos analisados estão ex-líbris, carimbos e dedicatórias manuscritas presentes em obras publicadas entre os séculos XVII e XIX. A metodologia propõe registrar informações detalhadas sobre cada marca, incluindo tipo, formato, cores, dimensões, suporte físico, localização no exemplar e possível identificação do antigo proprietário ou possuidor. Além disso, recomenda-se a inclusão de imagens das marcas nos catálogos bibliográficos, ampliando as possibilidades de pesquisa e preservação digital dos acervos (BiblioPat, 2014).
O estudo também destaca transformações recentes nas normas internacionais de catalogação, especialmente com a adoção do padrão RDA (Resource Description and Access), que passou a valorizar mais fortemente informações específicas de exemplares individuais. Essa mudança representa um avanço importante para bibliotecas e coleções especiais, pois permite relacionar livros, antigos proprietários e marcas históricas em ambientes digitais interoperáveis, fortalecendo a recuperação da informação e a pesquisa histórica (Miranda; Lourenço, 2024).
Além de contribuir para a organização técnica de bibliotecas, a pesquisa possui impacto cultural e patrimonial relevante. Ao registrar de forma sistemática vestígios materiais presentes nos livros, as instituições conseguem preservar evidências da memória social, intelectual e editorial associada aos exemplares. O trabalho evidencia ainda que marcas aparentemente simples, como uma anotação manuscrita ou um carimbo, podem revelar redes de circulação de obras, práticas de leitura e histórias de coleções privadas hoje dispersas.
As autoras concluem que a metodologia da BiblioPat representa uma alternativa viável para suprir lacunas normativas existentes na catalogação de livros raros e coleções especiais. A proposta fortalece práticas de preservação, amplia o potencial investigativo dos catálogos bibliográficos e favorece a construção de repositórios digitais mais ricos e interoperáveis. Em um cenário de crescente digitalização do patrimônio cultural, iniciativas dessa natureza podem auxiliar bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória na valorização e salvaguarda da história material dos livros.
Referências
BIBLIOPAT. Description et signalement des provenances: propositions pour une méthodologie commune. Paris: BiblioPat, 2014.
MIRANDA, Daniel Rodrigues Silva; LOURENÇO, Cíntia de Azevedo. RDA: recomendações de implementação no Brasil. Biblios, Lima, n. 87, p. 1-26, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.5195/biblios.2024.1185. Acesso em: 20 fev. 2026.
Para ler o artigo na íntegra
RODRIGUES, Marcia Carvalho; VIAN, Alissa Esperon. Descrição de marcas de proveniência nos registros bibliográficos. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.186.
Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.
