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Ciência aberta só é inclusiva quando todas as línguas têm voz

por Ciexpress


A Ciência Aberta promete democratizar o acesso ao conhecimento, mas será que essa democratização alcança todas as pessoas? Essa é a questão central do artigo "Ciência aberta e justiça linguística: desafios para a acessibilidade de usuários surdos na produção e acesso ao conhecimento científico", de Wolney Gomes Almeida, publicado na Ciência da Informação Express. O estudo demonstra que, embora a Ciência Aberta tenha ampliado o acesso às publicações e aos dados científicos, ainda mantém barreiras linguísticas que dificultam a participação de pessoas surdas usuárias da Língua Brasileira de Sinais (Libras), defendendo que a justiça linguística deve tornar-se um princípio estruturante desse movimento.

Nas últimas décadas, a Ciência Aberta consolidou-se como uma estratégia internacional voltada à transparência, colaboração e compartilhamento do conhecimento científico (Fecher; Friesike, 2014; UNESCO, 2021; Silveira et al., 2023). Entretanto, como destaca o artigo, a maior parte das iniciativas concentra-se na remoção de barreiras econômicas e tecnológicas, deixando em segundo plano obstáculos relacionados à diversidade linguística. Assim, disponibilizar artigos gratuitamente não significa, necessariamente, torná-los acessíveis para comunidades cuja principal língua é visual-espacial, como a Libras.


Para discutir essa questão, o autor desenvolveu um ensaio teórico de natureza qualitativa, fundamentado na análise conceitual e na interlocução crítica com estudos sobre Ciência Aberta, Comunicação Científica, Justiça Epistêmica, Estudos Surdos e políticas linguísticas. Em linguagem acessível, o trabalho articula diferentes referenciais para examinar como a predominância da escrita e da oralidade nos processos científicos condiciona quem pode produzir, validar e acessar o conhecimento.


Entre os principais resultados, o estudo evidencia que a exclusão de usuários de Libras não decorre apenas da ausência de recursos de acessibilidade, mas de um modelo científico historicamente organizado em torno de línguas orais e escritas. O conceito de "ouvintismo estrutural" (Almeida, 2025) é utilizado para explicar como a oralidade continua sendo tratada como norma na comunicação científica, restringindo o reconhecimento da Libras como língua legítima para produzir, apresentar e validar conhecimento científico. Dessa forma, a pesquisa amplia o debate sobre Ciência Aberta ao incorporar a dimensão da justiça linguística como elemento indispensável para uma ciência verdadeiramente democrática (Fricker, 2007; Chan et al., 2020).


O artigo também apresenta caminhos para transformar esse cenário. Entre eles, destaca a necessidade de políticas editoriais que aceitem produções originalmente elaboradas em Libras, formação de avaliadores com competência em línguas de sinais, fortalecimento de formatos multimodais, como videoartigos, e revisão dos critérios de avaliação científica. Essas mudanças permitiriam ampliar não apenas o acesso à informação, mas também a participação efetiva de pesquisadores surdos nos processos de produção e circulação do conhecimento científico.


Ao defender que a Libras seja reconhecida como língua legítima de produção científica, o estudo propõe uma mudança de perspectiva: a democratização da ciência não deve limitar-se à abertura de conteúdos, mas incluir a transformação das estruturas que determinam quem pode participar da construção do conhecimento. Essa reflexão amplia o alcance das discussões sobre Ciência Aberta e oferece subsídios para políticas públicas, instituições de pesquisa, periódicos científicos e agências de fomento comprometidos com inclusão, diversidade e inovação na comunicação científica.


Referências citadas no release


ALMEIDA, Wolney Gomes. Ouvintismo estrutural: língua de sinais, corpos surdos e resistências. São Carlos: Pedro & João, 2025.


CHAN, Leslie et al. Open science beyond open access: for and with communities, a step towards the decolonization of knowledge. Ottawa: OCSDNet, 2020.


FECHER, Benedikt; FRIESIKE, Sascha. Open science: one term, five schools of thought. In: BARTLING, S.; FRIESIKE, S. (org.). Opening science. Cham: Springer, 2014. DOI: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-319-00026-8_2


FRICKER, Miranda. Epistemic injustice: power and the ethics of knowing. Oxford: Oxford University Press, 2007. https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780198237907.001.0001


SILVEIRA, Lúcia da et al. Taxonomia da Ciência Aberta: revisada e ampliada. Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação, Florianópolis/SC, Brasil, v. 28, p. 1–22, 2023. DOI: https://doi.org/10.5007/1518-2924.2023.e91712.


UNESCO. Recommendation on Open Science. Paris: UNESCO, 2021.


Para ler o artigo na íntegra


ALMEIDA, Wolney Gomes. Ciência aberta e justiça linguística: desafios para a acessibilidade de usuários surdos na produção e acesso ao conhecimento científico. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, p. e154, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.198.



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Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.

 
 
 

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