IA chega às bibliotecas universitárias, mas bibliotecários continuam no centro das decisões
- Ciência da Informação Express CIE
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por Ciexpress
O artigo "Inteligência artificial em bibliotecas universitárias: um mapeamento da produção científica brasileira na BRAPCI", de Isadora Victorino Evangelista Geroto, Mayara Cabral Cosmo, Amanda Sertori dos Santos e Letícia Helena Melo, demonstra que o interesse pela inteligência artificial (IA) nas bibliotecas universitárias brasileiras cresce rapidamente, mas ainda é acompanhado por uma postura crítica e cautelosa da comunidade científica. O estudo expõe que as tecnologias vêm sendo utilizadas principalmente para apoiar serviços de referência e o processamento técnico da informação, sem substituir a atuação do bibliotecário.

O avanço da inteligência artificial generativa, impulsionado pela popularização de ferramentas como ChatGPT, Gemini e outras plataformas, tem provocado mudanças na forma como bibliotecas universitárias organizam informações e atendem seus usuários. Apesar do entusiasmo em torno dessas tecnologias, ainda havia poucos estudos que sistematizassem como esse fenômeno estava sendo discutido na Ciência da Informação brasileira, especialmente no contexto das bibliotecas universitárias. Foi justamente essa lacuna que motivou a realização da pesquisa.
Para compreender esse cenário, as autoras realizaram uma pesquisa de natureza exploratória e descritiva, combinando métodos quantitativos e qualitativos. O levantamento foi realizado na Base de Dados Referencial de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI), principal fonte nacional da área. Após um processo de seleção criterioso, foram analisadas 12 publicações, produzidas entre 2024 e 2026, por meio de análise bibliométrica e análise de conteúdo, permitindo identificar tendências, aplicações, desafios e perspectivas relacionadas ao uso da IA nas bibliotecas universitárias brasileiras.
Os resultados demonstram que as aplicações da inteligência artificial concentram-se principalmente em duas frentes. A primeira envolve o atendimento ao usuário, com chatbots, apoio à elaboração de estratégias de busca, normalização bibliográfica, tradução automática e recomendação personalizada de conteúdos. A segunda está relacionada ao processamento técnico, incluindo catalogação, indexação, classificação e organização de acervos digitais. O estudo também identificou usos voltados à análise de dados de pesquisa, transcrição automática de entrevistas e apoio à tomada de decisão em bibliotecas.
Embora a percepção predominante seja positiva, os pesquisadores observam que o entusiasmo em torno da IA é condicionado por importantes preocupações. Entre os principais desafios aparecem as chamadas "alucinações" das ferramentas, que podem gerar informações incorretas, além de limitações relacionadas à infraestrutura tecnológica, à proteção de dados, aos vieses algorítmicos e, sobretudo, à necessidade de formação específica dos bibliotecários para utilizar essas tecnologias de forma ética, crítica e responsável. Assim, a literatura converge para a compreensão de que a IA deve atuar como apoio às atividades profissionais, mantendo o julgamento humano como elemento indispensável.
Outro aspecto relevante identificado pela pesquisa é que a produção científica nacional sobre o tema ainda é recente e dispersa entre diferentes periódicos e eventos científicos. Essa característica evidencia que a inteligência artificial aplicada às bibliotecas universitárias constitui um campo emergente de investigação, com amplo espaço para novas pesquisas empíricas, desenvolvimento de experiências práticas e fortalecimento da cooperação entre instituições de ensino e pesquisa.
Os autores concluem que a inteligência artificial representa uma oportunidade importante para modernizar serviços, ampliar o acesso à informação e fortalecer a inovação nas bibliotecas universitárias brasileiras. Entretanto, seu potencial somente poderá ser plenamente aproveitado quando vier acompanhado de investimento em capacitação profissional, desenvolvimento de competências em IA, políticas institucionais, infraestrutura adequada e compromisso com princípios éticos. Nesse cenário, o bibliotecário permanece como protagonista da mediação da informação, garantindo que a tecnologia seja utilizada em benefício da ciência, da educação e da sociedade.
Para ler o artigo na íntegra
GEROTO, Isadora Victorino Evangelista; COSMO, Mayara Cabral; SANTOS, Amanda Sertori dos; MELO, Letícia Helena. Inteligência artificial em bibliotecas universitárias: um mapeamento da produção científica brasileira na BRAPCI. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, p. e154, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.178.
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Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.
