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Entre defender e praticar: estudo revela até onde os pesquisadores realmente aderem à Ciência Aberta

há 12 horas
3 min de leitura

por Ciexpress


O artigo “Do open science advocates walk the talk? Evidence from positive position papers”, de Chuanfu Chen, Yicheng Huang, Renli Wu e Zike Jiang, investigou uma questão central para o avanço da Ciência Aberta: pesquisadores que defendem publicamente seus princípios também tornam suas próprias publicações abertas? A resposta encontrada é positiva, mas apenas parcialmente. Os autores demonstram que trabalhos favoráveis à Ciência Aberta apresentam taxas de acesso aberto consideravelmente superiores às médias da produção científica mundial. Ainda assim, mais de 30% desses trabalhos publicados em 2023 não estavam disponíveis em acesso aberto imediato, revelando que persiste uma distância entre defender a abertura da ciência e colocá-la integralmente em prática.  

   


A questão ganha importância porque o acesso aberto se consolidou como um dos pilares da Ciência Aberta e passou a integrar políticas científicas nacionais e internacionais. A Recomendação da UNESCO sobre Ciência Aberta reforçou, em 2021, a necessidade de ampliar o acesso equitativo ao conhecimento científico (UNESCO, 2021). Entretanto, atitudes favoráveis nem sempre resultam em comportamentos equivalentes. Essa diferença pode ser compreendida pela chamada distância entre atitude e comportamento, segundo a qual fatores como normas sociais, condições institucionais e capacidade de realizar determinada ação podem interferir na passagem da intenção para a prática (Ajzen, 1991).


No ambiente científico, custos de publicação, sistemas de avaliação, políticas institucionais e características das diferentes disciplinas estão entre os fatores capazes de dificultar essa transição. Para investigar o fenômeno com dados observáveis, e não apenas por meio de questionários sobre opiniões dos pesquisadores, Chen et al. (2026) analisaram publicações indexadas na Web of Science Core Collection entre 2014 e 2023. A busca inicial recuperou 3.991 documentos relacionados à Ciência Aberta ou ao acesso aberto. Após avaliação temática e análise da posição expressa nos textos, combinando análise de sentimento por meio da biblioteca TextBlob, em Python, e verificação manual foram identificados 2.470 artigos com posicionamento positivo sobre Ciência Aberta, denominados pelos autores Positive Position Papers on Open Science (PPPos).   

 

Os pesquisadores também examinaram a trajetória de 261 autores que publicaram pelo menos três desses trabalhos, comparando suas práticas com as de 1.303 pesquisadores de perfil semelhante e analisando, no conjunto, 58.658 publicações. Os números mostram uma adesão expressiva, embora incompleta. Entre os PPPos, 72,4% estavam disponíveis em alguma modalidade de acesso aberto, contra uma média global de 49,8%; quando considerado apenas o acesso aberto imediato, as proporções foram de 54,5% e 32,8%, respectivamente.


Os autores que defendiam reiteradamente a Ciência Aberta também apresentaram maior frequência de publicação em acesso aberto que pesquisadores comparáveis, inclusive quando a comparação foi realizada dentro do mesmo periódico e ano. Além disso, já demonstravam maior propensão à abertura antes da primeira publicação explicitamente favorável à Ciência Aberta, e essa diferença aumentou posteriormente, sugerindo que predisposição e engajamento público podem atuar conjuntamente na adoção dessas práticas (Chen et al., 2026).  

   

O estudo também mostra que aderir à Ciência Aberta não depende apenas da vontade individual. Publicações com financiamento apresentaram taxas de acesso aberto total e imediato de 84,4% e 67,7%, respectivamente, enquanto entre trabalhos sem financiamento essas proporções caíram para 65,9% e 47,3%. Diferenças relevantes também apareceram entre países e disciplinas. Na América Latina e no Caribe, por exemplo, o acesso aberto imediato entre os trabalhos analisados alcançou 71,1%, resultado que os autores associam à tradição regional de infraestruturas não comerciais, como SciELO e Redalyc, e ao fortalecimento do acesso aberto diamante.     


Os resultados reforçam, portanto, a necessidade de políticas públicas, financiamento sustentável, repositórios institucionais, periódicos diamante e sistemas de avaliação científica que reconheçam efetivamente as práticas abertas. Para Chen et al. (2026), reduzir a distância entre discurso e prática exige enfrentar barreiras financeiras, institucionais e disciplinares e não apenas convencer pesquisadores dos benefícios da Ciência Aberta.    


Referências citadas no release


AJZEN, Icek. The theory of planned behavior. Organizational Behavior and Human Decision Processes, v. 50, n. 2, p. 179–211, 1991. DOI: https://doi.org/10.1016/0749-5978(91)90020-T.


UNESCO. UNESCO Recommendation on Open Science. Paris: UNESCO, 2021. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379949.    


Para ler o artigo na íntegra


CHEN, Chuanfu; HUANG, Yicheng; WU, Renli; JIANG, Zike. Do open science advocates walk the talk? Evidence from positive position papers. Royal Society Open Science, v. 13, 252500, 2026. DOI: https://doi.org/10.1098/rsos.252500.     




Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.

 
 
 

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