Controle biológico do café avança, mas práticas de ciência aberta continuam restritas
- Ciência da Informação Express CIE
- há 5 dias
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por Ciexpress
A expansão da cafeicultura brasileira e os desafios impostos pelas mudanças climáticas têm intensificado a busca por estratégias sustentáveis de manejo de pragas. Entre os problemas mais recorrentes no campo está o Leucoptera coffeella, conhecido como bicho-mineiro-do-cafeeiro, cuja ação compromete significativamente a produtividade das lavouras. Um novo estudo traz uma análise inédita sobre o uso do predador Chrysoperla externa no controle dessa praga, relacionando métricas científicas tradicionais com indicadores de ciência aberta.
A pesquisa avaliou 11 artigos publicados até maio de 2025, recuperados em bases internacionais como Google Scholar, Web of

Science, Scopus, Dimensions e ScienceDirect. O objetivo foi compreender não apenas a eficácia biológica do predador, mas também como a literatura científica da área se posiciona em relação à transparência, à reprodutibilidade e à abertura dos dados, pilares centrais da ciência aberta.
Os resultados mostram que predominaram estudos laboratoriais focados em toxicidade seletiva e resposta funcional do predador. Esses trabalhos revelam aspectos importantes sobre compatibilidade de insumos agrícolas e desempenho biológico de C. externa, mas ainda são pouco acompanhados de experimentos em campo e análises ecológicas integradas, que são essenciais para orientar decisões práticas em sistemas produtivos reais.
Embora parte das pesquisas analisadas tenha sido publicada em periódicos de alto impacto, a adesão às práticas de ciência aberta permanece baixa. O indicador mais frequente foi o acesso aberto ao texto completo, mas praticamente não há compartilhamento de dados, códigos, protocolos experimentais ou revisão por pares aberta. A ausência desses elementos dificulta a reprodutibilidade dos experimentos e compromete o avanço colaborativo no setor.
O estudo alerta que políticas editoriais, institucionais e de fomento ainda não exigem padrões mínimos de abertura, o que contribui para a manutenção de modelos tradicionais de publicação científica. Em áreas aplicadas, como a entomologia agrícola e o manejo ecológico de pragas, essa limitação se torna ainda mais crítica, uma vez que produtores, técnicos e pesquisadores dependem de informações de alta confiabilidade e documentação rigorosa para orientar decisões no campo.
A adoção de práticas de ciência aberta como dados FAIR, licenças de uso, documentação metodológica e repositórios públicos permite ampliar o impacto social das pesquisas, fortalecer a sustentabilidade das práticas agrícolas e estimular a transferência de conhecimento em escala regional e nacional. O estudo reforça que a abertura não se restringe ao acesso gratuito ao artigo, mas envolve um ecossistema completo de transparência e colaboração.
Como conclusão, os autores destacam que a transição para uma cafeicultura mais sustentável e baseada em evidências depende tanto da eficácia biológica de agentes como Chrysoperla externa quanto da democratização do conhecimento científico que orienta seu uso. A consolidação de políticas de ciência aberta e de métricas responsáveis é essencial para elevar o nível de confiabilidade, aplicabilidade e inovação no controle biológico e na pesquisa agrícola brasileira.
Para ler a pesquisa completa acesse:
FERNANDES, F. O. et al. Controle de Leucoptera coffeella Guérin-Méneville, 1842 com Chrysoperla externa Hagen, 1861 na cafeicultura sob a perspectiva da ciência aberta e de métricas científicas. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.155.
*Texto elaborado com apoio de Large Language Model, ChatGPT.








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