Bibliotecas no centro da Ciência Aberta: cooperação Brasil-Angola aposta na formação de profissionais para ampliar o acesso ao conhecimento
por Ciexpress
O artigo “Acesso aberto e dados abertos de pesquisa na formação da práxis biblioteconômica: uma iniciativa interinstitucional”, de Fabiana de Melo Amaral Gonçalves Pinto, Ana Paula Lima dos Santos, Dayanne da Silva Prudencio, Ruth Maria Mariani Braz e Arnaldo Faustino, investiga como a Ciência Aberta pode ser incorporada à formação de profissionais que atuam em bibliotecas, tomando como referência uma iniciativa de cooperação acadêmica entre Brasil e Angola. O estudo mostra que conhecimentos sobre acesso aberto, dados abertos de pesquisa e infraestruturas informacionais tendem a ocupar um espaço cada vez mais relevante na atuação bibliotecária, especialmente diante das transformações na produção, gestão e comunicação da ciência.

Abrir a ciência não significa apenas tornar artigos disponíveis gratuitamente na internet. O movimento envolve também o compartilhamento responsável de dados, o uso de repositórios, a adoção de licenças abertas, a preservação digital e a criação de condições para que o conhecimento científico possa ser encontrado, compreendido e reutilizado. Nesse cenário, bibliotecas e profissionais da informação passam a assumir novas responsabilidades no apoio à pesquisa. Estudos recentes apontam, por exemplo, a necessidade de competências relacionadas à gestão de dados, publicação científica, métricas, integridade da pesquisa e atualização profissional contínua (Ribeiro; Oliveira; Diniz, 2024; Sánchez Tarragó; Oliveira, 2025). No plano internacional, a UNESCO (2022) também destaca formação, infraestrutura e acesso equitativo ao conhecimento como dimensões fundamentais para a consolidação da Ciência Aberta.
Para compreender de que maneira essas transformações podem chegar à formação profissional, os pesquisadores realizaram um estudo qualitativo, exploratório e analítico, apoiado no paradigma indiciário e na análise documental. Foram examinadas políticas públicas, recomendações internacionais e documentos institucionais relacionados à Ciência Aberta, ao acesso aberto, aos dados de pesquisa e à formação de profissionais de bibliotecas nos contextos brasileiro e angolano. A investigação foi complementada por literatura científica publicada entre 2014 e 2026, recuperada nas bases SciELO, BRAPCI e Scopus. Os documentos foram analisados a partir de seis eixos: políticas de Ciência Aberta, infraestruturas informacionais, formação profissional, competências em informação e dados, acessibilidade e inclusão e cooperação internacional.
A análise encontrou convergências importantes entre políticas e recomendações quanto à necessidade de preparar profissionais capazes de atuar com repositórios, metadados, gestão, preservação e reutilização de dados, sem deixar de lado dimensões éticas e sociais, como acessibilidade, inclusão e democratização da informação. Em Angola, os autores identificam oportunidades de aproximação entre essas competências e o Plano Nacional de Leitura 2024-2027, que prevê ações de formação de professores-bibliotecários, mediadores, especialistas em tratamento de acervos e gestores de bibliotecas (Angola, 2024). O estudo também observa que ainda existem necessidades relacionadas à presença explícita de temas como Ciência Aberta e dados abertos nas ações formativas identificadas no contexto angolano.
É justamente nesse espaço que a cooperação Brasil-Angola pretende atuar. A proposta prevê uma formação gratuita e online, estruturada em módulos que articulam fundamentos conceituais e atividades práticas, aproximando Ciência Aberta, competência em informação, acessibilidade e inclusão. Mais do que ensinar o funcionamento de ferramentas, o estudo defende uma formação que prepare bibliotecários e outros profissionais da informação para participar da formulação de políticas de acesso aberto, apoiar a gestão de dados e atuar na implementação e sustentabilidade de infraestruturas científicas. A iniciativa, entretanto, ainda está em fase de implementação. Por isso, os autores ressaltam que seus impactos sobre os profissionais e sobre o desenvolvimento da Ciência Aberta em Angola ainda precisarão ser avaliados empiricamente em pesquisas posteriores.
Referências citadas no release
ANGOLA. Decreto Presidencial n.º 247/24, de 8 de novembro. Aprova o Plano Nacional de Leitura 2024–2027. Diário da República, I Série, 2024. Disponível em: https://files.lex.ao/presidente-da-republica/2024/decreto-presidencial-n-o-247-24-de-08-de-novembro/download/decreto-presidencial-n-o-247-24-de-08-de-novembro_presidente-da-republica_lex-ao.pdf. Acesso em: 15 jun. 2026.
RIBEIRO, Nivaldo Calixto; OLIVEIRA, Dalgiza Andrade; DINIZ, Jonas Aron Cardoso. Bibliotecários e os desafios da Ciência Aberta: habilidades, recursos e serviços. RECIIS, [S. l.], v. 18, n. 1, p. 208–221, 2024. DOI: https://doi.org/10.29397/reciis.v18iAhead-of-Print.3514.
SÁNCHEZ TARRAGÓ, Nancy; OLIVEIRA, Taliane de Assis. Bibliotecários, publicação científica e ciência aberta: competências e desafios em um ecossistema em transformação. RDBCI: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 23, e025021, 2025. DOI: https://doi.org/10.20396/rdbci.v23i00.8680042
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO). Recomendação da UNESCO sobre Ciência Aberta. Paris: UNESCO, 2022. DOI: https://doi.org/10.54677/XFFX3334.
Para ler o artigo na íntegra
PINTO, Fabiana de Melo Amaral Gonçalves; SANTOS, Ana Paula Lima dos; PRUDENCIO, Dayanne da Silva; BRAZ, Ruth Maria Mariani; FAUSTINO, Arnaldo. Acesso aberto e dados abertos de pesquisa na formação da práxis biblioteconômica: uma iniciativa interinstitucional. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.207.
Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.




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