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Quilombos na era digital entre memória e apagamento: estudo alerta para riscos éticos da IA na preservação cultural

por Ciexpress


O artigo “Desafios sociotécnicos à memória quilombola na Internet Archive”, de autoria de Helton Rafael Ferreira do Nascimento, publicado na revista Ciência da Informação Express, investiga como tecnologias emergentes, como Inteligência Artificial (IA) e Computação Quântica, podem simultaneamente fortalecer e ameaçar a preservação da memória coletiva de comunidades quilombolas em ambientes digitais. A pesquisa demonstra que plataformas de preservação digital, embora ampliem a visibilidade de saberes historicamente marginalizados, também podem reproduzir invisibilização, vieses algorítmicos e formas contemporâneas de apagamento epistemológico.


O estudo parte da compreensão de que os ambientes digitais passaram a desempenhar papel central na produção, circulação e preservação da memória social. Segundo o autor, a expansão das plataformas digitais alterou profundamente os modos de acesso à informação, transferindo parte da preservação da memória coletiva para infraestruturas tecnológicas e sistemas automatizados (Castells, 1999; Lévy, 1999). Nesse cenário, comunidades historicamente marginalizadas, como os quilombolas, tornam-se especialmente vulneráveis a processos de silenciamento e exclusão digital.


A pesquisa também discute como sistemas de Inteligência Artificial podem reproduzir desigualdades históricas ao operar sobre bases de dados enviesadas, reforçando aquilo que autores contemporâneos definem como “colonialidade algorítmica” e “epistemicídio digital” (Couldry; Mejias, 2019; Noble, 2018). O trabalho destaca que a invisibilização não ocorre apenas pela ausência de registros, mas também por mecanismos automatizados de hierarquização da informação, classificação algorítmica e priorização de conteúdos considerados mais relevantes pelas plataformas digitais.


Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como qualitativo, exploratório e documental. O autor realizou levantamento bibliográfico na Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (Brapci) e análise temática de documentos recuperados na plataforma Internet Archive. Foram identificados inicialmente 102 registros relacionados a comunidades quilombolas, entre livros, vídeos, reportagens, áudios e textos acadêmicos. Após verificação manual e critérios de seleção temática, o corpus analítico foi composto por 15 documentos organizados em três eixos interpretativos: resistência e memória; conflitos e criminalização; e saberes tradicionais e representações acadêmicas.


Entre os principais resultados, o estudo identificou que os acervos digitais possuem caráter ambivalente. Por um lado, promovem preservação, circulação e reconhecimento de narrativas quilombolas; por outro, reproduzem discursos estigmatizantes, objetificação científica e desigualdades epistêmicas. A análise mostrou que determinados conteúdos reforçam representações negativas ou tratam comunidades quilombolas apenas como objetos de pesquisa biomédica ou conflito territorial, enquanto outros documentos valorizam resistência cultural, direitos territoriais e produção de conhecimento tradicional.


O artigo também argumenta que a convergência entre Inteligência Artificial e Computação Quântica poderá ampliar significativamente a capacidade de processamento, recuperação e preservação da informação nos próximos anos. Entretanto, sem políticas informacionais comprometidas com diversidade cultural e justiça cognitiva, essas tecnologias podem intensificar processos de exclusão simbólica e apagamento cultural. Para o autor, a preservação digital não pode ser compreendida apenas como um desafio técnico, mas como uma questão ética, política e sociotécnica (Floridi et al., 2018; Santos, 2010).


O estudo conclui que iniciativas de preservação digital precisam incorporar modelos de governança orientados pela memória reparatória, diversidade epistêmica e inclusão informacional. A pesquisa reforça a necessidade de desenvolver práticas críticas de curadoria digital capazes de assegurar que o avanço tecnológico contribua para fortalecer e não silenciar as memórias de grupos historicamente marginalizados. Os resultados ampliam o debate contemporâneo da Ciência da Informação sobre ética digital, colonialidade algorítmica e preservação da memória social em tempos de Inteligência Artificial.


Referências


CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.


COULDRY, Nick; MEJIAS, Ulises A. The costs of connection: how data is colonizing human life and appropriating it for capitalism. Stanford: Stanford University Press, 2019.


FLORIDI, Luciano et al. AI4People: an ethical framework for a good AI society. Minds and Machines, v. 28, n. 4, p. 689-707, 2018. DOI: https://doi.org/10.1007/s11023-018-9482-5.


LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.


NOBLE, Safiya Umoja. Algorithms of oppression: how search engines reinforce racism. New York: NYU Press, 2018.


SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. São Paulo: Cortez, 2010.


Para ler o artigo na íntegra


NASCIMENTO, Helton Rafael Ferreira do. Desafios sociotécnicos à memória quilombola na Internet Archive. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.181 




Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.

 
 
 

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