Estudo apresenta caminhos para institucionalizar a Ciência Aberta nas universidades brasileiras
por Ciexpress
A Ciência Aberta vem transformando a maneira como o conhecimento científico é produzido, compartilhado e utilizado pela sociedade. Entretanto, como transformar seus princípios em políticas e serviços permanentes nas universidades? Essa questão orienta o artigo “Inovação institucional em ciência aberta: a experiência da institucionalização do Núcleo de Ciência Aberta da Universidade Federal Fluminense – NuCA-UFF”, de Josimara D. Brumatti, Fabiana M. A. G. Pinto e Ivanilma de Oliveira Gama. O estudo apresenta a trajetória de construção do Núcleo de Ciência Aberta da Universidade Federal Fluminense (NuCA-UFF) e propõe um modelo para orientar a institucionalização dessas práticas em outras universidades. A contribuição está na sistematização de uma experiência que articula governança, infraestrutura, serviços de apoio à pesquisa e formação da comunidade acadêmica.
Embora o acesso aberto às publicações científicas tenha avançado nas últimas décadas, a implementação da Ciência Aberta ainda enfrenta desafios relacionados à gestão de dados de pesquisa, à integração entre setores institucionais e à criação de políticas que assegurem a continuidade das iniciativas. No Brasil, muitas ações permanecem distribuídas entre bibliotecas, pró-reitorias, pesquisadores e equipes de tecnologia, sem uma estrutura responsável por sua articulação. Ribeiro (2022) destaca a necessidade de integrar essas iniciativas à gestão das universidades, enquanto a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, 2022) recomenda que a Ciência Aberta seja incorporada às políticas institucionais, promovendo transparência, colaboração e participação social na produção do conhecimento.
Para compreender esse processo, as pesquisadoras desenvolveram um relato de experiência de abordagem qualitativa e caráter descritivo, fundamentado na análise de documentos institucionais e referências nacionais e internacionais. O estudo examinou a trajetória da Ciência Aberta na UFF entre 2003 e 2026, considerando políticas de acesso aberto, normativas, registros de reuniões, planos de ação, iniciativas de formação e a estrutura organizacional proposta para o NuCA-UFF. A análise também estabeleceu relações com as recomendações da League of European Research Universities (2018), a pesquisa de Ribeiro (2022) e o plano de ação da Keele University (2021). A articulação dessas fontes permitiu identificar marcos institucionais e sistematizar estratégias de implementação da Ciência Aberta no ambiente universitário.
Os resultados identificaram quatro fases na trajetória institucional da UFF. A primeira corresponde à consolidação das bases do acesso aberto, entre 2003 e 2023, com iniciativas como a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações, o Repositório Institucional e o Portal de Periódicos em Acesso Aberto Diamante. Em 2024, a universidade ampliou a mobilização institucional e o alinhamento internacional por meio de ações de formação, iniciativas relacionadas aos dados abertos e adesão à Declaração de Barcelona. Em 2025, a criação do Grupo de Trabalho do NuCA-UFF representou um avanço na organização das atividades e na definição de responsabilidades. A quarta fase, referente a 2026, contempla as perspectivas de consolidação e expansão, incluindo a formalização do Núcleo, a regulamentação de suas atividades e o fortalecimento das ações de gestão de dados e ciência cidadã (Brumatti; Pinto; Gama, 2026).
A partir dessa experiência, as autoras propõem o Framework de Institucionalização da Ciência Aberta (FICA), uma estrutura de referência destinada a orientar universidades interessadas em organizar suas próprias iniciativas. O modelo articula quatro dimensões: governança, infraestrutura, serviços e cultura e estabelece um percurso que contempla o diagnóstico institucional, a mobilização de atores estratégicos, a estruturação organizacional, a formalização normativa, o monitoramento e a integração sistêmica.
O FICA também apresenta quatro níveis de maturidade, que permitem compreender a passagem de ações isoladas para uma situação em que a Ciência Aberta integra o planejamento e a gestão universitária. Por ter sido elaborado a partir de uma experiência institucional específica, o modelo é apresentado como potencialmente aplicável a outras instituições, respeitando suas diferentes condições e necessidades.
O estudo evidencia que institucionalizar a Ciência Aberta exige mais do que disponibilizar publicações e dados na internet. É necessário estabelecer responsabilidades, desenvolver competências, integrar setores e criar condições para a continuidade das ações. Nesse processo, bibliotecas universitárias e profissionais da informação assumem funções de articulação entre pesquisadores, gestores e infraestruturas científicas. Ao sistematizar a experiência da UFF, as autoras oferecem elementos que podem subsidiar o planejamento de políticas e serviços em outras instituições de ensino superior. A proposta também dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente aqueles relacionados à educação de qualidade, à inovação e ao fortalecimento de parcerias, contribuindo para ampliar o acesso ao conhecimento e aproximar a produção científica das demandas da sociedade.
Referências citadas no release
KEELE UNIVERSITY. Open Research Action Plan 2021/22–2023/24. Keele: Keele University, 2021. Approved by University Research Committee, 25 November 2021. Disponível em: https://www.keele.ac.uk/research/raise/researchintegrity/openresearch/openresearchactionplan/. Acesso em: 12 abr. 2026.
LEAGUE OF EUROPEAN RESEARCH UNIVERSITIES (LERU). Open Science and its role in universities: a roadmap for cultural change. Leuven: LERU, 2018. Disponível em: https://www.leru.org/files/LERU-AP24-Open-Science-full-paper.pdf. Acesso em: 14 jan. 2026.
RIBEIRO, Nivaldo Calixto. Ciência Aberta em universidades públicas federais brasileiras: políticas, ações e iniciativas. 2022. 371 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2022. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/50212. Acesso em: 10 mar. 2026.
RIBEIRO, Nivaldo Calixto; OLIVEIRA, Dalgiza Andrade. Proposta de estruturação organizacional de apoio à ciência aberta . Em Questão, Porto Alegre, v. 30, 2024. DOI: 10.1590/1808-5245.30.137423. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/137423. Acesso em: 20 set. 2026.
UNESCO. Recomendação da UNESCO sobre Ciência Aberta. Paris: UNESCO, 2022. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379949. Acesso em: 15 jan. 2026.
Para ler o artigo na íntegra
BRUMATTI, Josimara D.; PINTO, Fabiana M. A. G.; GAMA, Ivanilma de Oliveira. Inovação institucional em ciência aberta: a experiência da institucionalização do Núcleo de Ciência Aberta da Universidade Federal Fluminense – NuCA-UFF. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.226.
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Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.




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