Bibliotecas que acolhem: estudo revela como emoções transformam a experiência acadêmica
- Ciência da Informação Express CIE
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por Ciexpress
O artigo “Acessibilidade emocional: reflexões sobre o ambiente da biblioteca universitária”, de Miriam Regiane Dutra, Maísa Coelho França e Vagner Almeida dos Santos, investiga um aspecto ainda pouco explorado na Ciência da Informação: o papel das emoções na experiência dos usuários em bibliotecas universitárias. O estudo demonstra que a acessibilidade emocional, mais do que conforto, é fundamental para promover pertencimento, bem-estar e engajamento, ampliando o impacto das bibliotecas na vida universitária.
Nas últimas décadas, essas bibliotecas passaram por transformações significativas,

incorporando tecnologias, espaços colaborativos e práticas inclusivas. No entanto, como apontam os autores, ainda persistem barreiras invisíveis relacionadas às dimensões afetivas da experiência do usuário, como ansiedade, insegurança e sensação de não pertencimento. Embora áreas como arquitetura, museologia e urbanismo já tenham avançado na discussão da experiência emocional dos espaços (Duarte et al., 2013; Luberisse; Pfutzenreuter, 2023), esse debate ainda é incipiente no contexto das bibliotecas universitárias.
O estudo parte justamente dessa lacuna: compreender como a acessibilidade emocional vem sendo abordada na literatura científica e qual seu potencial para transformar os ambientes informacionais. A relevância do tema se intensifica no cenário contemporâneo, marcado pela busca por inclusão, diversidade e humanização dos espaços educacionais. Nesse contexto, a biblioteca deixa de ser apenas um local de acesso à informação e passa a ser entendida como um ambiente de convivência, acolhimento e desenvolvimento integral.
Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como teórica, qualitativa e exploratória, baseada em revisão narrativa de literatura. Os autores analisaram produções científicas em bases como Scopus, Web of Science, SciELO e BRAPCI, considerando trabalhos em português, inglês e espanhol. A abordagem permitiu identificar conceitos, práticas e lacunas relacionadas à acessibilidade emocional, bem como sua articulação com o design emocional, a ambiência e o Desenho Universal .
Entre os principais resultados, destaca-se que a acessibilidade emocional vai além da eliminação de barreiras físicas, envolvendo a capacidade do ambiente de gerar afeto, empatia e sensação de pertencimento. Elementos como iluminação, organização do espaço, linguagem acessível, práticas de acolhimento e atuação sensível dos profissionais influenciam diretamente a experiência do usuário. Além disso, o estudo evidencia que emoções positivas associadas ao ambiente contribuem para maior permanência, engajamento e uso dos serviços informacionais.
Do ponto de vista das contribuições, o trabalho amplia o conceito tradicional de acessibilidade, incorporando dimensões subjetivas e socioemocionais. Também aponta implicações práticas importantes: a necessidade de políticas institucionais voltadas à humanização dos espaços, capacitação de profissionais e adoção de estratégias baseadas no Desenho Universal. Ao mesmo tempo, revela um campo emergente de pesquisa, ainda carente de estudos empíricos aplicados às bibliotecas universitárias.
Em síntese, os autores defendem que a acessibilidade emocional é um componente estratégico para a construção de bibliotecas mais inclusivas, humanas e eficazes. Ao considerar as emoções como parte da experiência informacional, abre-se caminho para novas práticas, pesquisas e políticas que podem impactar diretamente o sucesso acadêmico, o bem-estar dos estudantes e a relevância social das bibliotecas no ensino superior.
Referência do artigo
DUTRA, Miriam Regiane; FRANÇA, Maísa Coelho; SANTOS, Vagner Almeida dos. Acessibilidade emocional: reflexões sobre o ambiente da biblioteca universitária. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.165.
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