Antes do algoritmo: estudo mostra que saber comunicar e coletar dados é central para a Ciência de Dados
- Ciência da Informação Express CIE
- há 1 dia
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por Ciexpress
O artigo “Competência em dados e ciência de dados na ciência da informação: panorama da produção científica e atuação do bibliotecário”, de Cristina Marchetti Maia, Jéssyca Maria Santos da Silva e José Eduardo Santarem Segundo, investiga como a competência em dados vem sendo relacionada à Ciência de Dados no campo da Ciência da Informação. Em um cenário no qual decisões científicas, profissionais e institucionais dependem cada vez mais da capacidade de compreender e utilizar dados, o estudo mostra que essa competência vai muito além do domínio de algoritmos e ferramentas computacionais: comunicação, coleta, análise e tratamento dos dados aparecem como dimensões centrais, enquanto modelagem algorítmica e desenvolvimento de produtos recebem bem menos atenção na literatura analisada.

A discussão ganha relevância diante do crescimento do volume e da variedade de dados produzidos na sociedade contemporânea. A Ciência de Dados consolidou-se como uma área interdisciplinar que reúne conhecimentos de Estatística, Computação e Ciências Sociais para transformar dados em conhecimento útil (Cao, 2016). Ao mesmo tempo, desenvolver competência em dados significa saber localizar, compreender, avaliar, analisar e comunicar dados de maneira crítica e responsável. No Brasil, porém, a literatura sobre essa competência no campo da Ciência da Informação ainda é considerada reduzida, indicando espaço para novas pesquisas e práticas de formação (Delbianco et al., 2023).
Para compreender esse cenário, a pesquisa adotou abordagem quali-quantitativa, descritiva e exploratória, combinando revisão bibliográfica, bibliometria e análise de conteúdo. As buscas foram realizadas nas bases Web of Science, Library & Information Science Abstracts (LISA) e Library, Information Science & Technology Abstracts (LISTA). Dos 118 registros inicialmente recuperados, 110 permaneceram após a retirada de duplicatas e foram utilizados na análise bibliométrica. Para examinar mais profundamente os temas e as habilidades discutidas recentemente, foram analisados 51 artigos publicados entre 2021 e 2024. O estudo também empregou Excel e VOSviewer e relacionou os conteúdos encontrados às etapas de um projeto de Ciência de Dados propostas por O’Neil e Schutt (2014).
Os resultados desmonstram uma área em expansão, mas ainda marcada por baixa colaboração entre pesquisadores. Embora tenha sido identificada uma publicação já em 1996, o crescimento tornou-se mais contínuo a partir de 2013, alcançando o pico em 2019. Nos quatro anos mais recentes analisados, a média foi de 14,5 artigos por ano. Entre os 51 trabalhos examinados em profundidade, 30 abordavam a formação e a atuação profissional, 14 discutiam educação ou formação de usuários, quatro avaliavam competências em dados e apenas três tinham caráter predominantemente conceitual. A pequena quantidade de estudos dedicados à avaliação da competência em dados pode indicar, segundo a pesquisa, uma oportunidade para futuras investigações.
Um dos resultados mais expressivos aparece quando os estudos são comparados às etapas de um projeto de Ciência de Dados. A comunicação dos dados foi mencionada em 41 artigos, seguida pela coleta, com 36; análise exploratória, com 29; processamento e limpeza, com 24; e identificação do problema, com 14. Em contraste, apenas dois trabalhos abordaram modelos algorítmicos e somente um tratou da implementação de produtos. O resultado reforça a ideia de que trabalhar competentemente com dados não significa apenas programar ou operar modelos de inteligência artificial: envolve compreender a origem e a qualidade dos dados, organizá-los adequadamente, interpretá-los e, sobretudo, comunicar seus significados de maneira clara, ética e responsável.
Para bibliotecários e outros profissionais da informação, essa perspectiva amplia possibilidades de atuação. A pesquisa destaca espaços como gestão e curadoria de dados de pesquisa, organização e representação de dados, repositórios, preservação digital, capacitação de pesquisadores e produção de materiais educativos, além da colaboração com especialistas em Estatística, Matemática e Computação. Mais do que ensinar ferramentas, formar pessoas competentes em dados exige estimular pensamento crítico e atenção a questões como transparência, privacidade, ética, vieses, diversidade e inclusão. Assim, fortalecer a competência em dados pode contribuir tanto para melhorar a qualidade dos projetos de Ciência de Dados quanto para tornar as decisões baseadas em dados mais conscientes e responsáveis.
Referências citadas no release
CAO, Longbing. Data science and analytics: a new era. The International Journal of Data Science and Analytics, [S. l.], v. 1, p. 1–2, 2016. DOI: https://doi.org/10.1007/s41060-016-0006-1.
DELBIANCO, Natália Rodrigues; BARROS, Suellen Timm; VIDOTTI, Silvana Aparecida Borsetti Gregório; CONEGLIAN, Caio Saraiva. Alfabetização de dados no contexto da Ciência da Informação: análise dos cursos de graduação no Brasil. Encontros Bibli, Florianópolis, v. 28, e94094, p. 1–19, 2023. DOI: https://doi.org/10.5007/1518-2924.2023.e94094.
O’NEIL, Cathy; SCHUTT, Rachel. Doing Data Science: straight talk from the frontline. 3. ed. Sebastopol: O’Reilly Media, 2014.
Para ler o artigo na íntegra
MAIA, Cristina Marchetti; SILVA, Jéssyca Maria Santos da; SANTAREM SEGUNDO, José Eduardo. Competência em dados e ciência de dados na ciência da informação: panorama da produção científica e atuação do bibliotecário. Ciência da Informação Express, Lavras, MG, v. 7, 2026. DOI: https://doi.org/10.60144/v7i.2026.201
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Release elaborado com apoio de Large Language Model (ChatGPT), com condução humana da equipe editorial do Ciexpress News.




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