O que são métricas responsáveis?*

Atualizado: Mai 12

David Jenkins**

http://orcid.org/0000-0002-0651-6193


Métricas responsáveis da produção científica referem-se ao uso ético e apropriado de métricas baseadas em citações (fator de impacto do periódico, índice H e a própria contagem de citações), em altmetrias (quantidades de vezes que a pesquisa é mencionada, usada, salva e compartilhada em blogs, mídia social e serviços de bookmarking) e em outros meios quantitativos de avaliação de pesquisas.

Fonte: Banco de imagens do Wix.

A adoção de uma abordagem de métrica responsável é vista como uma boa prática pela comunidade científica. Aplica-se a todos os envolvidos no uso ou produção dessas métricas, por exemplo:

  • pesquisadores;

  • financiadores;

  • instituições (universidades, institutos e outros órgãos que empregam pesquisadores);

  • editores;

  • organizações que fornecem métricas.

A ideia é oferecer diretrizes de boas condutas que ajudem a prevenir cenários como:

  • um artigo científico ser julgado apenas pelo periódico em que foi publicado, e não por seu próprio mérito;

  • universidades que se concentram em melhorar seu lugar em um ranking, quando a completude dos dados e a adequação das métricas que o ranking usa são contestadas;

  • empregadores usando limites métricos arbitrários para contratar e/ou demitir funcionários;

  • avaliação da pesquisa em geral sendo distorcida pelo fato de que as métricas podem ser manipuladas e/ou levar a consequências indesejadas.

Um documento com diretrizes que condizem com as métricas responsáveis é o The Metric Tide (WILSDON et al., 2015), um importante relatório publicado em 2015, com apoio da The Higher Education Funding Council for England (HEFCE), que ajudou a promover e a alinhar a discussão sobre métricas responsáveis. Afirma-se que as métricas responsáveis ​​podem ser entendidas em termos de uma série de dimensões:

  1. Robustez: basear as métricas nos melhores dados possíveis em termos de precisão e escopo;

  2. Humildade: reconhecer que a avaliação quantitativa deve apoiar - mas não ofuscar - a avaliação qualitativa de especialistas;

  3. Transparência: manter os processos de coleta e de análise de dados abertos e transparentes, para que os avaliados possam testar e verificar os resultados;

  4. Diversidade: considerar a variação por campo e utilizar uma gama de indicadores para refletir e apoiar uma pluralidade de trajetórias de pesquisa e de pesquisas em todo o sistema;

  5. Reflexividade: reconhecer e antecipar os efeitos sistêmicos e potenciais dos indicadores e atualizá-los em resposta a esses efeitos (WILSDON et al., 2015).

Outros marcos importantes sobre as métricas responsáveis ​​incluem a San Francisco Declaration on Research Assessment (DORA), formulada em 2012 (RAFF, 2013), e o Manifesto de Leiden para métricas de pesquisa, que foi publicado em 2015 (HIKCS et al., 2015).


Esperem ouvir mais sobre esta questão conforme os financiadores de pesquisa avançam na implementação dos princípios de métricas responsáveis ​​e exijam que as organizações que recebam seus recursos façam o mesmo - para mais informações consulte o Plan S (THE EUROPEAN SCIENCE, 2021) e a Política de acesso aberto da Wellcome Trust (2021).


Plan S é uma iniciativa apoiada por agências de fomento a pesquisa de 14 países que pretende exigir que artigos desenvolvidos com seus recursos sejam publicados apenas em revistas de acesso aberto. Já a Wellcome Trust é uma organização sem fins lucrativos independente política e financeiramente que propõe o desenvolvimento de estratégias, incluindo subsídios e parcerias, com a finalidade de encontrar soluções para os desafios urgentes de saúde da atualidade.


Referências


HICKS, D. et. al. Bibliometrics: The Leiden Manifesto for research metrics. Nature, v. 520, n. 7548, p. 429-431, abr. 2015. DOI: 10.1038/520429a. Disponível em: https://www.nature.com/news/bibliometrics-the-leiden-manifesto-for-research-metrics-1.17351. Acesso em: 22 jan. 2021.


RAFF, J. W. San Francisco Declaration on Research Assessment (DORA) - Editorial. Biology Open, [S. l.], v. 2, p. 533–534, 2013. DOI: https://doi.org/10.1242/bio.20135330. Disponível em: https://bio.biologists.org/content/2/6/533. Acesso em: 22 jan. 2021.


THE EUROPEAN SCIENCE. Plan S: Making full and immediate Open Access a reality. Strasbourg, 2021. Disponível em: https://www.coalition-s.org/. Acesso em: 22 jan. 2021.


WELCOME TRUST. Open access policy. London, 2021. Disponível em:http://www.open.ac.uk/blogs/the_orb/?p=3242. Disponível em: 22 jan. 2021.


WILSDON, J. et al. The Metric Tide: Report of the Independent Review of the Role of Metrics in Research Assessment and Management. London: Higher Education Funding Council for England , 2015. DOI: 10.13140/RG.2.1.4929.1363. Disponível em: https://kar.kent.ac.uk/81123/. Acesso em: 22 jan. 2021.


* Nota informativa Versão original do texto, intitulado: What are responsible metrics?, foi publicado em The Orb: research support from ou Library Services. Disponível em: http://www.open.ac.uk/blogs/the_orb/?p=3242. Acesso em: 22 jan. 2021.

Como Citar

JENKINS, D. O que são métricas responsáveis? Tradução livre por Leonardo Silveira Paiva. Ciência da Informação Express, [S. l.], v. 2, n. 1, 25 jan. 2021. DOI: 10.6084/m9.figshare.13626047. Disponível em: https://www.cienciadainformacaoexpress.com/post/o-que-s%C3%A3o-m%C3%A9tricas-respons%C3%A1veis.


**Dados biográficos do autor

David Jenkins é Bibliotecário de Apoio à Pesquisa do Sistema de Biblioteca da The Open University (Reino Unido). Mestrado em Biblioteconomia pela Universidade de Sheffield. Desenvolve suas atividades em bibliotecas há mais de 15 anos. Iniciou sua carreira em bibliotecas públicas antes de se mudar para a academia, onde trabalhou em áreas como alfabetização informacional, Embbed librarian, periódicos e apoio à pesquisa. Atualmente, trabalha com metadados e serviços digitais de biblioteca.


ORCID: http://orcid.org/0000-0002-0651-6193


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